Tributação de Lucros e Dividendos a partir de 2026: Impactos, Estratégias e Riscos para Empresas (Simples,  Presumido e Real),  Visão Marco Zero

1. Panorama Geral,  por que a tributação volta a valer

Durante décadas, o Brasil manteve isenção sobre lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas. Com a aprovação da Lei 15.270/2025, o cenário fiscal muda de forma definitiva:

  • A lei restabelece a tributação sobre lucros/dividendos distribuídos a pessoas físicas. A alíquota proposta é de 10% de IRRF,   aplicada quando a distribuição mensal por beneficiário ultrapassar o limite de R$ 50 mil/mês.
  • A isenção histórica se encerra,   salvo exceções/limitações conforme regime tributário da empresa.
  • A tributação recai sobre quem recebe,  ou seja,   sócios/pessoas físicas ,    não sobre a pessoa jurídica diretamente.
  • Há um período de transição: lucros apurados até 2025 podem ser distribuídos com isenção,   desde que obedecidos os requisitos de aprovação/distribuição até 31 de dezembro de 2025.

Essa mudança simboliza um novo paradigma para a remuneração via dividendos no Brasil; o que era natural e previsível,  “distribuir lucros sem imposto”,  deixa de existir. Empresários,   contadores e planejadores precisam se adaptar com inteligência.

Para quem segue a filosofia da Marco Zero,  clareza,   planejamento e eficiência fiscal,  esse momento exige estratégia.


2. Diferenciação por Regime Tributário: Complexidades e Particularidades

2.1. Simples Nacional

Como sempre foi: o Simples oferece tratamento simplificado e favorecido para micro e pequenas empresas. A legislação permite que os lucros distribuídos aos sócios sejam isentos de IRPF,   desde que os valores estejam devidamente respaldados pela contabilidade ou dentro da presunção admitida. A isenção é construída sobre a base de uma lei complementar,   a Lei Complementar 123/2006,  o que cria uma blindagem jurídica importante.

Com a nova lei:

  • A tributação por lei ordinária,  no caso a 15.270/2025,  não pode,   em tese,   revogar ou invalidar isenção consagrada em lei complementar. Esse princípio jurídico abre espaço para que empresas do Simples continuem distribuindo lucros isentos.
  • Contudo,   a manutenção da isenção depende de contabilidade organizada e criteriosa. Distribuir acima de valores compatíveis com lucro real ou com o faturamento pode gerar questionamentos.
  • A adoção de pró-labore compatível,   escrituração contábil rigorosa e demonstrações contábeis claras tornam-se imprescindíveis para defender eventual questionamento da Receita.

Riscos e vulnerabilidades:

  • Empresas que adotam contabilidade “simplificada demais” ou trabalham com distribuição de lucros baseada apenas em extratos financeiros (sem escrituração) estão mais expostas a autuações.
  • Distribuições superiores à presunção ou compatíveis com margens muito altas devem ser justificadas por demonstrações contábeis robustas.
  • Para sócios que também são administradores,   a política de pró-labore e retirada deve ser revista para manter coerência fiscal e contábil.

2.2. Lucro Presumido

No regime do Lucro Presumido,   onde a tributação da empresa é feita com base em presunção de lucro,   e não no lucro real,   a nova tributação de dividendos representa uma mudança estrutural:

  • Distribuições superiores a R$ 50 mil/mês por sócio estarão sujeitas à retenção de 10% de IRRF. Não há blindagem legal como no Simples.
  • Muitas empresas no Presumido costumam remunerar sócios majoritariamente via dividendos,   para ganhar eficiência fiscal,  modelo que agora acaba.
  • Para empresas com faturamento e lucro elevados,   a nova regra impacta diretamente o planejamento de retiradas e fluxo de caixa pessoal dos sócios.

Desafios específicos:

  • Sócios com participação em múltiplas empresas podem somar dividendos e ultrapassar o limite mensal com facilidade.
  • Distribuições esporádicas ou anuais (em vez de mensais) podem implicar retenção elevada de uma só vez,  o que exige planejamento de fluxo de caixa.
  • A opção por manter baixo pró-labore e alta distribuição de lucro perde parte do sentido com a nova tributação.

2.3. Lucro Real

No Lucro Real,  regime geralmente adotado por empresas de maior porte,   margem variável ou que necessitam deduções contábeis,  o impacto da tributação de dividendos pode ser ainda mais relevante:

  • Empresas que dependem fortemente da distribuição de lucros e mantêm grande parte da remuneração dos sócios via dividendos sofrerão com a retenção.
  • Para empresas com estrutura societária complexa (holdings,   subsidiárias,   grupos familiares),   o planejamento societário e de distribuição exige atenção redobrada.
  • A distribuição anual de lucros pode significar um pico de tributação,   a menos que os pagamentos sejam planejados mensalmente ou de forma fracionada.

Questões estratégicas ao considerar:

  • Utilização de reservas estatutárias,  reservar lucros na empresa ao invés de distribuí-los imediatamente,  pode ganhar protagonismo como alternativa para adiar ou distribuir de forma mais planejada.
  • A tributação de dividendos pode tornar a retenção de caixa na empresa mais interessante (investimento,   expansão,   reinvestimento de capital),   em vez de distribuição imediata.
  • Para empresas com visão de crescimento e reinvestimento,   a mudança pode funcionar como estímulo a reinvestir em vez de distribuir.

3. Impactos Econômicos e Comportamentais,  para Sócios,   Empresas e Mercado

3.1. Para sócios e pessoas físicas

  • Sócios acostumados a renda passiva por dividendos precisarão recalcular o rendimento líquido esperado.
  • A alíquota de 10% retida na fonte representa uma redução imediata na remuneração líquida. Para quem depende dessa renda para consumo ou reinvestimento pessoal,   o impacto pode ser significativo.
  • A mudança pode alterar o perfil de remuneração: pró-labore,   rendimentos de outras fontes,   renda de aluguel ou outras formas de rendimento podem voltar a ter importância.

3.2. Para empresas

  • A distribuição de lucros pode perder atratividade como mecanismo principal de remuneração dos donos.
  • Empresas podem optar por reinvestir lucros em vez de distribuí-los,   o que pode impulsionar crescimento,   capitalização e expansão.
  • A gestão de caixa e capital de giro ganha importância estratégica,   já que parte dos lucros tende a ficar retida.

3.3. Para o mercado e economia como um todo

  • Com a tributação de dividendos,   o perfil tradicional de remuneração de sócios muda,   o que pode alterar a forma como empresas brasileiras remuneram seus donos,  especialmente PME,   startups e empresas familiares.
  • Pode haver maior demanda por estrutura de holdings,   planejamento societário e consultoria tributária/contábil.
  • A nova regra tende a incentivar reinvestimentos,  o que,   em tese,   pode favorecer crescimento econômico,   inovação e fortalecimento patrimonial,  em vez de distribuição pura de lucros.

4. Estratégias,   Boas Práticas e Caminhos Recomendados pela Marco Zero

Diante desse novo contexto,   as empresas e sócios devem adotar uma postura proativa. Aqui estão as melhores práticas que recomendamos:

4.1. Escrituração contábil rigorosa e organizada (para Simples,   Presumido e Real)

  • Registre detalhadamente receitas,   despesas,   resultado contábil,   provisões,   reservas e lucros acumulados.
  • Mantenha balanços,   demonstrações contábeis e atas de deliberação de distribuição atualizados. Isso é fundamental caso a Receita ou auditoria fiscal questione a natureza ou valor da distribuição.

4.2. Planejamento de distribuição consciente e escalonado

  • Evite distribuições em “tijoladas” (quantias elevadas de uma só vez). Prefira retiradas regulares menores para não ultrapassar o limite mensal de isenção (quando aplicável).
  • Simular cenários de fluxo de caixa: lucro real vs. pró-labore + dividendos + reinvestimento.

4.3. Revisão da estrutura societária e governança corporativa

  • Reavaliar a participação societária,   incluindo holdings,   porcentagem de sócios,   distribuição de quotas,   participação de familiares,   etc.
  • Para empresas familiares ou com múltiplos sócios,   mapear “quem recebe o quê” e evitar concentrações de dividendos em uma só pessoa que ultrapassem os limites.

4.4. Avaliar reinvestimento como opção estratégica

  • Em vez de distribuir lucros,   muitas empresas podem optar por reinvestir em expansão,   novos projetos,   capital de giro,   inovação,   aquisição de ativos,  o que pode criar mais valor a longo prazo.
  • Reservas estatutárias ou lucros retidos podem ser utilizadas para financiar crescimento sem a pressão por distribuição.

4.5. Ajustes no pró-labore e remuneração dos sócios

  • Para sócios que exercem funções na empresa,   definir pró-labore compatível com a função e necessidade,   para equilibrar remuneração + benefícios + carga fiscal.
  • A combinação de pró-labore + dividendos + benefícios pode ser revisada para otimizar o rendimento líquido e a carga tributária.

4.6. Consultoria contábil/fiscal especializada e contínua

  • Diante da complexidade da nova lei,   manter assessoria contábil e tributária de excelência é essencial.
  • Revisões periódicas (semestrais ou anuais) dos resultados,   projeções,   distribuições e planejamento societário garantem segurança jurídica e fiscal.

5. Cenários e Simulações,  Exemplos práticos

Cenário A,  Microempresa no Simples Nacional

  • Faturamento modesto,   resultados compatíveis com presunção legal.
  • Sócios distribuem lucros esporadicamente,   com contabilidade organizada.
  • Resultado provável: mantida isenção,   desde que tudo esteja contábil e documentalmente respaldado.

Cenário B,  Empresa de médio porte no Lucro Presumido

  • Lucros distribuídos mensalmente ao sócio majoritário,   ultrapassando R$ 50 mil.
  • Antes: distribuição líquida de dividendos sem imposto.
  • Depois: retenção de 10% na fonte sobre o excedente mensal,  impacto direto na remuneração dos sócios.
  • Estratégia recomendada: reequilibrar entre pró-labore e dividendos + escalonar distribuições.

Cenário C,  Empresa de grande porte no Lucro Real

  • Lucros altos,   distribuição anual ou semestral de dividendos via holding ou diretamente aos sócios.
  • Grandes valores distribuídos de uma só vez = grande retenção.
  • Estratégia recomendada: usar reservas,   reinvestimento,   planejamento societário,   e fracionamento da distribuição ao longo do tempo.

6. Principais Riscos de Planejamento Inadequado

Sem o devido planejamento,   empresas e sócios podem enfrentar:

  • Autuações da Receita Federal por distribuição incompatível com contabilidade ou faturamento.
  • Sobretaxação inesperada,   comprometendo fluxo de caixa pessoal ou empresarial.
  • Perda de previsibilidade financeira: dividendos deixam de ser “renda líquida garantida”.
  • Desalinhamento societário e conflito entre sócios,   especialmente em empresas familiares.
  • Falta de liquidez para reinvestimentos ou capital de giro,   caso os lucros sejam distribuídos sem critério.

7. A Visão da Marco Zero: Tributação como Catalisador de Organização e Crescimento

Para a Marco Zero,   a tributação de dividendos não representa apenas um obstáculo,  mas uma oportunidade para:

  • reestruturar empresas com mais governança,   transparência e contabilidade de qualidade;
  • incentivar reinvestimentos e crescimento sustentável,   em vez de distribuição imediata de lucros;
  • profissionalizar a gestão societária e financeira;
  • proteger o patrimônio dos sócios com planejamento inteligente,   racional e conforme lei;
  • elevar o nível de maturidade das empresas brasileiras,   alinhando-as a padrões corporativos de governança e compliance.

Essa visão alinha-se com nossa missão: oferecer inteligência financeira,   com planejamento,   consistência e foco em resultados reais,  não ilusões de lucro líquido sem considerar impostos,   riscos ou sustentabilidade.


8. Conclusão,  O Caminho Seguro em Tempos de Mudança

A partir de 2026,   a tributação de lucros e dividendos será uma realidade concreta no Brasil. Empresas que não se adaptarem com antecedência arriscam ser pegas de surpresa,  com impacto negativo para sócios,   finanças e patrimônio.

Mas a mudança também abre espaço para um novo modelo de gestão empresarial e financeira: mais organizada,   estratégica,   sustentável e com foco no crescimento de longo prazo.

Na Marco Zero,   acreditamos que quem se prepara com conhecimento,   planejamento e disciplina sai na frente. Nossa recomendação aos empresários é clara:

Contabilidade séria,   planejamento societário,   distribuição consciente e visão de longo prazo.

Mais do que uma contabilidade, a Marco Zero é o guia estratégico que transforma
gestão financeira em crescimento sustentável.

©2026. Marco Zero Inteligência financeira.